Marina, essa ?Rede? não está pra peixe.

Sempre acompanhei e admirei a trajetória política da Senadora Marina Silva. Sua atuação pela preservação do meio ambiente, seu discurso coerente, ainda que utópico, e a sua história de vida renderam-lhe reconhecimento nacional e internacional, além de milhares de admiradores.

Na passagem por Recife, Marina participou, na noite de terça-feira (14), de um debate com estudantes na Universidade Católica de Pernambuco. No evento, ela soou como se estivesse incomodada com a onda de críticas que engolfa o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP). Evangélica, Marina insinuou que o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara vem sendo atacado por ser religioso, não por defender posições retrógradas e equivocadas.

Marina, desde quando posições racistas e homofóbicas devem ser entendidas como equivocadas? Muitos acompanharam, nas redes sociais, as manifestações, claramente racistas e homofóbicas de Marcos Feliciano. E isso vai além do despreparo. Fere a Constituição Brasileira e os Direitos Humanos das Minorias. Ou será que as mobilizações sociais de norte a sul do Brasil contra a permanência dele na Comissão também foram resultados desse ?equivoco?? Poupem os meus olhos e ouvidos.

Por falar em mobilizações sociais, as articulações da Senadora com a idealização do novo partido, a Rede Sustentabilidade, após sua exposição negativa e merecida, na mídia, corre o risco de se perder no mar. Ao ser colocada diante de questões difíceis, como a união de pessoas do mesmo sexo, em seu discurso, a evasão é clara, na medida em que propõe plebiscitos ? o que provocou o fim do seu diálogo com grupos LGBT. Marina, cuidado com o que você diz. A ?Rede?, que nem bem começou, pode se tornar insustentável. Ela não está pra ?peixe?.

Depois dessa ingestão inesperada, nada melhor que finalizar esse texto parafraseando o Mandela: ?Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.? Afinal, ?saborear? a diversidade e o respeito a dignidade da pessoa humana faz bem ? alma, faz bem a vida.

Luiz Alves é Relações Públicas. Especialista em Marketing e Branding pela UNIFACS. Pós graduando em Gestão Estratégica de Relações Públicas Pela Faculdade Batista Brasileira. Trabalha no MBAF Consultores e Advogados nas áreas de Marketing, Gestão e Desenvolvimento. Possui artigos publicados no Observatório da Imprensa, Migalhas e RP em Revista. Escreve, semanalmente, para o Classe Política. Contato: [email protected]

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