Mulheres só receberão doação de óvulos até os 50 anos

A partir de agora, mulheres que querem engravidar mas dependem da
doação de óvulos só poderão receber o material genético até os 50 anos
de idade. A regra começa a valer amanhã (9), quando a nova resolução do
Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre reprodução assistida será
publicada no Diário Oficial da União. A resolução preenche a lacuna de não existir, no Brasil, uma legislação que regulamente a prática da reprodução assistida.

Antes não havia um limite de idade estabelecido. A regra é uma das
novidades da terceira versão das normas que regulamentam o procedimento.
A primeira norma foi estabelecida em  1992 e revisada, apenas uma vez,
em 2010. A comissão de especialistas, que reúne ginecologistas e
geneticistas, se debruçou nos últimos 12 meses para atualizar o
documento a partir de experiências que vem sendo observadas pelos
médicos.

“É comprovado que a idade reprodutiva da mulher é até os 45 anos.
Elevamos para 48 anos e depois de uma discussão exaustiva chegamos aos
50 anos. A partir daí existem riscos para a mulher e para a criança”,
explicou José Hiran Gallo, coordenador da Câmara Técnica de Reprodução
Assistida do CFM. Após os 50 anos, aumentam os casos de hipertensão na
gravidez e diabetes. A gestação nessa idade ainda pode provocar, para a
criança, nascimento abaixo do peso e o parto pré-maturo.

Apesar da definição, os especialistas reconhecem que podem surgir
casos em que a regra poderá ser flexionada. “Da mesma forma que, em
alguns casos, o médico pode decidir não fazer o procedimento em mulheres
mais novas, por considerar que não terão condições de gerar, ele pode
também flexionar em casos de mulheres acima de 50 anos, se considerar
que elas teriam condições de engravidar”, explicou Carlos Vital,
vice-presidente do CFM.

A idade para doação do óvulo também ficou limitada nos casos de
doação compartilhada, ou seja, quando uma mulher que está tentando
engravidar doa parte dos seus óvulos para uma mulher mais velha, que não
produz mais óvulos, em troca do custeio de parte do tratamento. Os
médicos decidiram que a idade máxima para a doação é 35 anos para as
mulheres e de 50 para homem que se dispõem a doar sêmen.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução
Assistida (SBRA), Adelino Amaral, a qualidade dos óvulos doados até essa
idade é maior e, com isso, as chances da receptora engravidar aumentam.
“A partir dos 35 anos, a qualidade do óvulo diminui e o risco de
doenças genéticas aumenta”, explicou.

O número de óvulos e embriões também vai considerar apenas a idade
da mulher que está doando. Ou seja, a receptora pode receber até quatro
oócitos (células germinativas femininas) e embriões transferidos,
considerando que, mulheres com até 35 anos, recebem até dois embriões,
as receptoras com idade entre 36 e 39 anos podem receber até três
embriões e as mulheres entre 40 e 50 anos recebem o máximo permitido de
até quatro embriões.

De acordo com especialistas na área, a probabilidade de uma mulher
acima de 40 anos engravidar é quase 10%, enquanto que, até os 35 anos,
as chances são superiores a 40%. Considerando esses cenários, a
limitação reduz as chances da gestação múltipla, ou seja, de mais de um
filho, o que poderia significar risco para mulheres mais velhas.

“Existe uma demanda muito grande de mulheres de mais de 45 anos ou
mulheres mais jovens que não produzem óvulos. Tem mais de 5 mil mulheres
aguardando um procedimento como a reprodução assistida, apenas no
serviço público de saúde de Brasília”, disse Amaral.

O custo do procedimento completo varia entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
No sistema público de saúde, o procedimento é feito em apenas cinco
unidades da federação. Além do Distrito Federal, a reprodução é feita em
hospitais públicos de Goiânia, Natal, Recife e em dois hospitais de São
Paulo.

 De acordo com a SBRA, menos de 5% das fertilizações in vitro
são feitas gratuitamente no país. “Tem algumas situações em clínicas
que fazem hoje a doação compartilhada, em que a doadora não paga nada e a
receptora decide pagar todo o tratamento”, disse. A receptora que arca
com parte ou o total dos custos do tratamento assume o risco de não
poder receber o material, caso a produção seja inferior.

Nos casos de doação compartilhada, as clínicas são obrigadas a
guardar sigilo sobre a doadora, mas fornecem todos os tipos de
informações como estatura, cor dos olhos e dos cabelos, peso, até a
escolaridade da doadora, para tentar aproximar aparência física e
compatibilidades como a de sangue, evitando problemas no futuro.

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