Prefeita de Ubatã é acusada de nepotismo, fraude eleitoral e de ser ?laranja? do próprio pai

A prefeita do município de Ubatã na região sul da Bahia, Siméia Queiroz (PSB), vem colecionando denúncias de irregularidades em sua administração. A primeira delas é a de nepotismo, uma vez que a prefeita empregou alguns de seus familiares na prefeitura. O pai, a madrasta, a sogra, e até o marido da cunhada viraram funcionários públicos. Mas as acusações não param por aí. Siméia também responde por fraude eleitoral e vem sendo apontada como ?testa de ferro? do seu pai, Expedito Rigaud de Souza, que é o secretário de Administração e Finanças do município.

Expedito Rigaud foi condenado pela Lei da Ficha Limpa e, desde 2010, tornou-se inelegível. Ainda assim, ele solicitou o registro de sua candidatura para concorrer nas eleições municipais e disputar o cargo de prefeito, em 2012. Faltando apenas três dias para o pleito, Expedito renunciou e lançou a sua filha Siméia como a sua substituta. Ela venceu as eleições por apenas 16 votos a mais que o segundo colocado.

Ele manda, ela assina

Na teoria, Siméia é a prefeita, mas, na prática, nada é feito sem o aval de Expedito. Em um discurso feito por Siméia poucos dias antes da eleição durante um comício na localidade de Lajedo, deixou claro que isso aconteceria. Ela disse que estava apenas ?emprestando o seu nome?, que seria uma espécie de ?secretária? ou ?assessora? de Expedito, pois ele é quem governaria.

?Eu estou votando é em Expedito Rigaud, porque é ele que irá governar. É ele que irá governar, ele é meu pai! Quem manda em mim é ele!?, discursou a então candidata.

 

Irregularidades na Campanha

A Coligação ?Para quem ama Ubatã?, formada pelo PTB, PMDB, PSC, PRP, PPS, PMN e PCdoB, que lançou a candidata Lila Rosana Santos Magalhães, moveu uma ação na Justiça Eleitoral contra a prefeita Siméia e o seu vice Wesley Soares Faustino. Eles alegam que a eleição ?não se deu por conta de uma escolha livre, legítima e consciente do eleitor, que em grande parte votou enganado, acreditando que estava escolhendo o seu pai o Sr. Expedito para ser o prefeito da cidade?.

A desistência de Expedito em concorrer ? s eleições ocorreu no dia 2 de outubro e, no dia 3, foi protocolado o pedido de registro de candidatura da filha do candidato a ser substituído. Portanto, não houve tempo suficiente para divulgar a substituição. No dia 4 de outubro, a Coligação ?Pra quem ama Ubatã? ingressou com liminar para que fosse recolhido todo o material de propaganda eleitoral, no qual aparecia a imagem e o nome de Expedito Rigaud, mas tal determinação foi descumprida.

Além disso, Expedito e sua filha Siméia distribuíram aos eleitores no dia do pleito, 7 de outubro, camisas com as cores da campanha, prática proibida pela lei eleitoral.

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