‘Fomos brutalmente espancados’, diz sobrevivente do Carandiru

Começou nesta segunda-feira o julgamento do episódio conhecido como massacre do Carandiru, ocorrido em 2 de outubro de 1992. Na ocasião, 111 presidiários foram mortos e 87 ficaram feridos.

A primeira testemunha a ser ouvida no julgamento dos 26 policiais militares acusados de participação na tragédia foi o ex-detento Antonio Carlos Dias, de 47 anos. Segundo ele, os presos não estavam armados e foram mortos de forma aleatória pela Polícia Militar. ‘Fomos brutalmente espancados’, disse.

O tumulto teve início com a briga entre dois presidiários. “A polícia surpreendeu todo mundo ao chegar”, afirmou. “Fizeram um corredor (formado por duas filas de policiais) e nos mandaram descer”.

De acordo com a vítima, tudo era motivo para os policiais atirarem. “Qualquer descuido, eles matavam. Muitos morreram assim, só de olhar. Eu vi uma montanha de corpos, todos caídos, alguns agonizando”, contou Antonio Carlos. Ele também disse que hoje tem medo da polícia: “Se não tivesse obrigação, não estaria aqui. A visão que eu tenho da polícia é a de que os bons são minoria. Estou emocionado porque sobrevivi, isso jamais vai se apagar da minha mente”.

Dias afirmou que eles não tinham qualquer arma, pois jogaram todas as facas pelas janelas quando souberam que a polícia estava a caminho. Por outro lado, o sobrevivente disse que a metralhadora dos policiais parecia “som contínuo de um ferro batendo em lata”.

Por fim, a testemunha disse que acredita que houve muito mais mortos do que o divulgado oficialmente. “Muita gente não tinha visita, não tinha família. Eu acredito que, no mínimo, morreu o dobro do que eles falaram. Eu estive lá, eu presenciei”, declarou.

Compartilhe