Brasil exporta Fome Zero e se torna 10º maior doador mundial

A crise na Europa fez com que doadores tradicionais como França,
Espanha e Itália tivessem uma retração nas verbas. O Brasil, porém, fez
a maior doação repassada ao World Food Programme (WFP) de sua história
em 2012, terminando o ano como o 10º maior doador, com mais de US$ 82
milhões. Isso representa duas posições ? frente comparado a 2011,quando
ficou em 12º lugar com US$ 70,5 milhões doados; e 34 posições ? frente
que em 2007, primeiro ano em que o Brasil apareceu no ranking dos 100
maiores doadores, em 44º lugar e US$ 1,1 milhão doado.

Dentro de
um armazém no distrito de Mkuranga, Tanzânia, um saco de açúcar com a
escrita Product of Brazil não deixa dúvidas: as doações de alimentos do
Brasil ao Programa Mundial Alimentar (PMA) chegam ? África. Não
bastassem os financiamentos em espécie, em 2012 o Brasil também fez
grandes doações de commodities.

Já em outubro do ano passado,
durante o primeiro encontro da nova secretária executiva do PMA, Etharin
Cousin, com a imprensa estrangeira em Roma, ela anunciara que o Brasil
estaria entre os maiores doadores do ano.

De fato, desde que o
ex-ministro brasileiro José Graziano da Silva foi eleito diretor-geral
da FAO, Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, em 2011, o
Brasil passou a exercer um novo papel nas decisões que concernem ? s
agências da ONU em Roma. Além da FAO e do PMA, também tem sede na
capital italiana o FIDA, Fundo Internacional para o Desenvolvimento da
Agricultura.

Mas não são somente as doações em dinheiro e de
alimentos que aumentam o responsabilidade do Brasil diante da comunidade
internacional. O reconhecimento maior, seja da África ou dos países
europeus, aparece muitas vezes na forma de respeito ? s conquistas do
País, dentro de casa, no combate ? fome e ? pobreza.

As
experiências bem sucedidas do Fome Zero colocado em prática por Graziano
durante o governo Lula vão além das fronteiras do Brasil.
Principalmente em direção ? África, confirmando as intenções da FAO em
dar atenção especial a assim chamada Cooperação Sul-Sul. Tanto que um
Centro de Excelência no Combate ? Fome foi construído em Brasília em
parceria do PMA com o governo.

Irene Del-Río é espanhola e
trabalha no escritório regional do PMA no Malauí. Ela esteve no Centro
de Excêlencia e de lá trouxe modelos de combate ? fome que já estão em
prática, como é o caso da escola do distrito de Mbwadzulu, distante
cerca de 300km da capital Lilongwe. Ali, ao menos 600 crianças e
adolescentes são beneficiados por um projeto inspirado no Fome Zero de
investir na produção e consumo local. O PMA repassa verbas para as
escolas e estas, por sua vez, compram os alimentos produzidos pelos pais
dos alunos.

?O programa é uma continuação do Fome Zero.
Estivemos dois meses no Brasil para aprender as práticas dos programas
existentes no Brasil. Nosso enfoque aqui é na alimentação escolar.
Dentre todas as experiências que o Brasil tem na luta contra ? pobreza e
contra ? fome, a alimentação escolar é uma das coisas que se poderiam
melhor implementar no Malauí?, completa Del-Río.

Apesar das
semelhanças na aplicação dos projetos, é preciso dar um rosto africano
aos projetos. Principalmente na capacitação de quem conhece a fundo as
principais necessidades dos países africanos.

?A ideia não é
somente replicar os programas do Brasil mas ver quais foram as
experiências, negativas e positivas, que foram aprendidas, e aplicá-las
nos contextos africanos que em alguns casos, em alguns distritos, são
bastante parecidos com o que vimos no Brasil. Então, a parte da
assistência técnica é muito valiosa para os governos africanos que têm
capacidades limitadas para desenvolver políticas?, aponta Del-Río.

A
mudança na posição do Brasil diante da comunidade internacional que,
praticamente em uma década, passou de País que recebia recursos para um
dos principais doadores do PMA, estreitou os laços com os países
africanos mais necessitados e ganhou o respeito dos países ricos.
Entretanto, o balanço fiscal do PMA relativo ao mês de janeiro deste ano
revela um Brasil um tanto quanto mais ponderado nas doações: 22ª
posição na lista com pouco mais de US$ 626 mil dólares enviados ao PMA.(Terra).

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