Ativismo de poltrona

Até quando as pessoas serão tão engajadas no ativismo de poltrona? O fenômeno social visto na internet é algo impressionante. Quantas vezes vemos uma manifestação agendada nas redes sociais com a confirmação da presença de milhares de pessoas, e quando o movimento toma as ruas, alguns ?gatos? pingam para tentar tornar real o desejo exposto no computador? O ativismo de cliques poderá ser a nova revolução?

O protesto físico não toma intensidade por conta da preguiça ou descaso dos participantes virtuais? Acredito que falta articulação dos idealizadores de tais manifestações para convencer ao indivíduo ir ? s ruas.  Não raros são os exemplos de repúdios virtuais que não conseguem emplacar visibilidade, pois estão apenas servindo a interesses políticos ou econômicos.

Não sou do tipo que odeia essa ou aquela tendência social, mas gostaria muito de ver o povo nas ruas protestando por seus direitos ou contra a corrupção na política ou no futebol, quem sabe ainda contra a degradação do meio ambiente. Creio que valeria muito a pena. Mas, na poltrona, eu acho que não deve surtir o mesmo efeito.

A pergunta viria como um torpedo submarino: Por que um dos mais ácidos usuários das redes sociais questiona o uso dessas ferramentas para mobilização social? Respondo com naturalidade na crença de que não podemos submeter nosso tempo aos aproveitadores de consciências que tentam utilizar a revolta da sociedade como instrumento político-partidário de viés eleitoreiro.

Onde estão os últimos movimentos articulados na web? Será que ?Desocuparam? esse universo virtual, pois passou o período eleitoral? Qual terá sido o objetivo oculto desse grupo que por vários dias tentou que o ex-prefeito João Henrique (PP) deixasse o poder na cidade? Acho mesmo que desocuparam o nosso tempo. Ainda bem.

A internet é o espaço onde podemos abrigar vários pensamentos, ideias, sugestões, críticas e propostas. Nossa opinião pode ser navegada como nunca, e quando tivermos governos abertos verdadeiramente ao diálogo social interativo, poderemos sim ter um ativismo virtual vitorioso em seus anseios.
Por tudo que foi exposto brevemente, vou parar de usar a internet para fazer considerações sobre ?ativismo de poltrona?, pois eu poderia muito bem estar reunindo pessoas para fazer esse debate físico, e ao contrário do que escrevi neste texto, estou aqui na poltrona escrevendo questionamento sobre o tema.
Viva o ativismo de sofá!

Jeremias Silva é comentarista político e escreve semanalmente para o ClassePolítica

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