MPF pede que Cid devolva do próprio bolso dinheiro pago a Ivete

O Ministério Público Federal (MPF-CE) solicitou nesta quinta-feira, 24,
que o governador Cid Gomes (PSB) devolva aos cofres estaduais os R$ 650
mil pagos ? cantora Ivete Sangalo, que fez show na última sexta-feira,
em Sobral, para inaugurar o Hospital Regional da Zona Norte (HRN). A
restituição, segundo o MPF, deve ser feita com recursos financeiros do
próprio governador.

De acordo com o procurador da República Oscar Costa Filho, autor da
ação civil pública, foram considerados dois pontos: violação ao
princípio da moralidade administrativa e desvio de finalidade. Ele pede
ainda a concessão de liminar que proíba Cid Gomes de “utilizar recursos
públicos vinculados direta ou indiretamente ? saúde pública para
realização de eventos festivos”.

“Essa ação tem uma relação direta com a recente ação civil pública em
que eu solicito a criação de leitos, afinal, não tem sentido o
governador do Ceará gastar recursos com festas para inaugurar hospital,
enquanto se faz urgente o atendimento de cidadãos em fila de espera por
cirurgias”, explica Oscar Costa Filho.

O MPF leva ainda em consideração os recentes questionamentos feito pelo
procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Gleydson
Alexandre. Segundo o órgão, mesmo em casos de dispensa de licitação –
como o show da cantora baiana Ivete Sangalo -, o poder público deve
apresentar ao menos três orçamentos, mas o governo só anexou dois.
Reclamação que acabou sendo arquivada pelo presidente interino do
Tribunal de Contas do Estado (TCE), Pedro Timbó, após parecer da 7ª
Inspetoria da Corte, que não detectou nenhuma irregularidade.

Por isso, o procurador apresentou recurso da decisão, acrescentando
novas informações. Ele listou seis shows de Ivete contratados por
prefeituras em 2012 por valores entre R$ 400 mil e R$ 500 mil.

A postura acabou irritando o governador Cid Gomes. Em entrevista, ele
classificou Gleydson de “garoto que deseja aparecer e fica criando
caso?. O procurador reagiu logo em seguida, afirmando que as declarações
de Cid “mostram-se desrespeitosas ao Ministério Público de Contas e
demonstram que o chefe do Executivo estadual não tem o menor respeito
pelas instituições democráticas”.

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