PT tenta conter avanço de Eduardo Campos no Nordeste

Os aliados da presidente Dilma Rousseff (PT) já ligaram o sinal de
alerta quando o assunto é reeleição. Depois da consolidação do
crescimento do PSB nas últimas eleições, a petista deve intensificar a
agenda na região Nordeste. Este é o reduto em que o governador de
Pernambuco, Eduardo Campos, que também preside a legenda socialista
nacionalmente, é mais influente. A intenção é ?barrar? e ?ofuscar? o
governador pernambucano diante de seus pares nordestinos de olho na
formação de palanques para a eleição de 2014.

A presidente desembarca, nesta sexta-feira (18), no estado do Piauí,
diante da constatação de que o PT precisa recuperar prestígio político
na região. Aliás, é bom assinalar que duas capitais importantes
administradas pelo PT foram perdidas justamente para o velho aliado
socialista. A eleição do prefeito do Recife, Geraldo Julio, do PSB, pôs
fim a um período de 12 anos de administração na capital pernambucana. Em
Fortaleza, com a derrota do PT na última eleição municipal, o PSB
passou a gerir a prefeita, com Roberto Claudio, e o governo do estado
com Cid Gomes.

Com o quadro extremamente delicado, Dilma deve anunciar visitas em
pelo menos seis estados da região Nordeste até o mês de março. A
avaliação de aliados ligados ao Palácio do Planalto é que o partido
precisa melhorar a articulação política com governadores e prefeitos da
região, principalmente após o resultado das eleições de 2012. Além
disso, o PT precisa ?driblar? o desgaste gerado com os políticos da
região por conta da paralisação nos canteiros de obras do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC).

A viagem oficial de Dilma pela região Nordeste ainda inclui o estado
de seu ainda aliado, o governador Eduardo Campos, em Pernambuco, Ceará,
Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Circular pela região também está
nos planos do ex-presidente Lula, padrinho político de Dilma Rousseff
que recentemente foi alvo de novas denúncias do publicitário Marcos
Valério no escândalo do mensalão – esquema de compra de votos da base
aliada no Congresso durante seu mandato cujo julgamento se desencadeou
no ano passado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A direção do PT também acredita que poderia ter se saído melhor na
disputa pelas prefeituras do Nordeste na eleição do ano passado.
Lembrando que, com a consolidação de programas sociais como o Bolsa
Família, a região se tornou uma espécie de ?reduto eleitoral? do
partido. Em 2008, 24% das prefeituras da região estavam nas mãos do PT.
Em 2012, o índice subiu para 30%, mas o partido perdeu as capitais.

Outro ponto que faz o partido ascender o sinal vermelho é o crescimento
do PSDB na região, com a formação de novos quadros políticos. No Recife,
por exemplo, na última eleição o candidato tucano, o deputado estadual
Daniel Coelho, ultrapassou o candidato petista, o senador Humberto
Costa, em número de votos. O tucano quase levou a disputa para o segundo
turno. Já em Salvador, a vitória de Antônio Carlos Magalhães Neto, do
DEM, fez surgir um movimento pela volta do ?carlismo? ao poder.

Compartilhe