Comunicar para as massas e interagir com o indivíduo

Vivemos na sociedade da informação. Somos ávidos por notícias. Queremos saber de fatos e acontecimentos, mesmo aqueles que não interferem diretamente na nossa individualidade. A globalização trouxe consigo a afirmação da Era da Comunicação. Estamos conectados, e em assim sendo, uma explosão de informações acontece a cada momento nas diversas plataformas. Mas uma contradição paira: será que sabemos mais e compreendemos menos?
O mal necessário da globalização encurtou distâncias, facilitou a realização de serviços, mas por outro lado, diminuiu contatos interpessoais e criou um mundo onde estamos sendo seguidos por milhares de pessoas, mas, somos solitários.

Qual seria o papel da imprensa neste novo mundo?
Ao clicar de um mouse podemos ter um veículo disseminador de notícias. Ao digitar uma palavra-chave temos uma infinidade de caminhos para saber de fatos e fotos. Ao ler nosso website preferido podemos ser ?molhados? por uma enxurrada de informações muitas vezes ditas exclusivas.
Mas, o que pode ser considerado como verdade também pode carregar contornos de mentiras ou atender ao interesse da fonte. Não existe um filtro, investigação ou até mesmo, o despertar da opinião no novo modelo de ?fabricar? notícia. O mundo virtual possibilitou que além de criar pessoas lindas em sites de encontros, também fosse possível disseminar factoides e falácias. Algumas causam um verdadeiro terremoto na vida de inocentes.

Vivenciar o fato, investigar, ouvir dois ou mais lados, comprovar a informação antes de publicar. Perdemos essa essência do jornalismo para a velocidade da notícia, e assim caminhamos sempre no fio da navalha da imprecisão e dos riscos de devastar individualidades. Negar princípios básicos de construção da verdadeira notícia é algo arriscado, mas corriqueiro, e que somos obrigados a ler diariamente com o título de ?exclusivo? ou ?primeira mão?.

Não há como negar que não somos mais meros receptores de notícias. Queremos e somos atores de um diálogo que deveria ser retroalimentado por quem produz informação. Não servimos apenas para compartilhar conteúdo, e se assim, o fazemos, participamos do processo contínuo de disseminação da comunicação. Mas, apesar dos avanços ainda temos desafios ao comunicar. Muita coisa ainda precisa de uma linguagem mais sedutora para atingir de maneira eficaz a quem consome a informação.

Em épocas distintas, a escrita sempre revolucionou a sociedade. Quer seja nas rochas, nos papiros, no papel-jornal ou no ciberespaço, onde há escrita é necessário que haja interação. Mas, a internet usa multi-meios de linguagem para se comunicar, e esse desafio colocado ? nossa frente: como comunicar novos temas que são necessários ao entendimento das massas em um modelo de comunicação cada dia mais individual?

Como trabalhar temas como sustentabilidade, por exemplo? Como fazer um adolescente de hábil utilização do ?internetês? que existem urgentes ações humanas que devem ser praticadas no momento atual para garantir o sustento de gerações futuras? Como informar ao intrépido jogador virtual que a poluição está acabando com os reservatórios de água pelo mundo? Ou como comunicar ao internauta que o consumismo está afetando diretamente os recursos naturais escassos?

Devemos seguir nos passos da velocidade da informação sem perder a essência da verdade, pois devemos atender ao interesse da verdade. Temos que ser mais aplicados no nosso comportamento ao disseminar notícias. Vamos encarar os desafios e reinventar nossa forma de enxergar a sociedade, pois apesar de acreditarmos que o fato de sermos profissionais de Comunicação nos torna uma casta privilegiada, somos partícipes da sociedade em que vivemos, e a ela devemos total responsabilidade.

Jeremias Silva é comentarista político e escreve semanalmente para o ClassePolítica

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