Nota de corte de candidatos do Sisu pode ter apenas 10 pontos de diferença

A nota de corte dos candidatos do Sistema de Seleção Unificada (Sisu)
pode ter apenas 10 pontos de diferença entre os alunos de ampla
concorrência e os candidatos inscritos nos critérios de cotas, com baixa
renda familiar per capita (inferior a 1,5 salário mínimo). É o
caso do curso de engenharia elétrica da Universidade Federal do Ceará
(UFC). Os alunos sem cotas tiveram nota de corte de 667,36 pontos, já os
cotistas registraram 657,24 na nota de corte.

No curso de medicina da UFC, o mais procurado do Sisu, os alunos não
cotistas e cotistas de baixa renda mantêm uma diferença de 37,68 pontos
na nota de corte. Cada um dos grupos registrou 783 e 745,32 pontos na
nota de corte, respectivamente. Os dados são referentes a estudo
comparativo divulgado hoje (10) pelo Ministério da Educação (MEC).  

No curso com a maior nota de corte, o de medicina da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as notas mantêm praticamente o mesmo
desempenho registrado na Federal do Ceará. Os alunos inscritos na ampla
concorrência obtiveram a nota de corte de 821 pontos, já os cotistas de
baixa renda atingiram 778,81 pontos.

Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o resultado pode
ser considerado ?excelente?, já que ?o desempenho dos cotistas até o
momento é muito próximo do desempenho da ampla concorrência?.

?É um grande resultado, mas não pode ser lido como uma acomodação e
muito menos como se o desafio da qualidade no ensino médio não fosse
imenso para o Brasil, para o MEC, especialmente para as secretarias
estaduais de Educação ? responsáveis por 86% da rede?, disse Mercadante.

A Lei de Cotas prevê para este ano a reserva de 12,5% das vagas para
estudantes que concluíram o ensino médio no ensino público, alunos cuja
renda familiar é igual ou inferior a 1,5 salário mínimo, além de
garantir o acesso de alunos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas.

Para Mercadante, a Lei de Cotas impõe a reestruturação dessa etapa
de ensino, já que vai garantir o acesso de estudantes da rede pública ? s
universidades federais. A lei será implementada de forma gradual por
quatro anos. Neste ano, serão 12,5% do total de vagas reservadas ? s
universidades federais. Em 2014, o número sobe para 25% do total de
vagas reservadas. Em 2015, serão 37,5% do total de vagas reservadas e em
30 de agosto de 2016 completa o prazo para o cumprimento total da lei,
com 50% de todas as vagas reservadas.

?Nós avaliamos que no ano que vem isso [a diferença no desempenho
entre cotistas e não cotistas] deverá se manter, com uma pequena
discrepância. O problema pode aparecer a partir do terceiro e do quarto
ano. Ou seja, temos que entender que a cota traz um novo desafio, de
melhorar a qualidade do ensino médio. Se em um primeiro momento a nota
está muito próxima, quando for aumentada a presença dos cotistas nas
vagas, até chegar a 50%, a discrepância pode aumentar?, argumentou.

Mercadante ressaltou ainda a importância da bolsa assistência
estudantil, de R$ 400, como uma das formas encontradas pelo governo para
garantir a permanência dos alunos cotistas de baixa renda nas
universidades federais. A medida está prevista para entrar em vigor em
maio deste ano.

O benefício será concedido aos alunos de cursos com duração diária
acima de cinco horas e ainda depende da aprovação do Orçamento. Terão
direito garantido ? assistência os alunos aprovados no Sisu, por meio de
cotas sociais.

Segundo Mercadante, a assistência estudantil tem também o desafio
pedagógico. ?Esse fato não retira das universidades a necessidade de ter
um programa de reforço pedagógico e tutoria, para que os alunos possam
suprir as suas deficiências ao longo do curso?.

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