Indefinição sobre posse de Chávez aumenta crise

Em meio a um duelo interpretativo sobre a Constituição venezuelana, o governo de Hugo Chávez voltou a acusar a oposição “direitista” de planejar uma “conspiração” contra o presidente. Falando em entrevista coletiva em Caracas, o chefe de campanha política chavista, Jorge Rodríguez, reiterou a interpretação do vice, Nicolás Maduro, de Chávez não precisa tomar posse no dia 10 de janeiro e atacou os movimentos que defendem a necessidade da presença do mandatário para assumir seu inédito quarto mandato.

“Sobram, abundam os argumentos que suportam o que está dito na Constituição. Por isso, denuncio uma conspiração, uma conspiração sempre baseada no mesmo”, disse Rodríguez, do Comando Carabobo. Para ele, a leitura de que a ausência de Chávez no dia 10 de janeiro implicaria a convocação de um novo pleito presidencial é meramente a manifestação de “uma direita venezuelana que quer derrubar o presidente Chávez, (…) a direita mais asquerosa da Venezuela”.

Oposição pede Corte Suprema

O líder da oposição na Venezuela, Henrique Capriles, pediu que a Corte Suprema do país decida sobre qual procedimento deve ser adotado no país se o presidente Hugo Chávez não for capaz de assumir seu novo mandato no dia 10. Capriles disse que a Venezuela passa por uma séria crise constitucional e que “tudo deve ser feito” para evitar um confronto.

Chávez está hospitalizado em Cuba há aproximadamente um mês, se recuperando da última cirurgia para tratamento do câncer. Ele deveria assumir seu terceiro mandato no dia 10.

A Constituição diz que na sua falta, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, deveria assumir o cargo provisoriamente. Partidários de Chávez defendem por sua vez que o presidente poderia tomar posse depois que seu estado de saúde melhorar.

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