Villas Bôas chora e recebe abraço de Bolsonaro na entrega do cargo

Villas Bôas chora e recebe abraço de Bolsonaro na entrega do cargo

O agora ex-comandante do Exército, general Villas Bôas, chorou e recebeu afago do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao entregar o cargo para o seu sucessor, Edson Leal Pujol. Em discurso feito para uma plateia lotada no Clube do Exército, em Brasília, Villas Bôas agradeceu o gesto e declarou ao presidente:

“O senhor traz a necessária renovação e a liberação das amarras ideológicas que sequestraram o livre pensar”, disse. No encerramento do seu discurso, ele disse: “Brasil acima de tudo”, mas não emendou o restante do discurso de Bolsonaro, que termina com “Deus acima de todos”.

Ainda em sua fala, o militar elogiou o trabalho do ministro da Justiça e ex-juiz federal responsável pela Lava Jato, Sérgio Moro. “Ele fez uma verdadeira cruzada contra a corrupção”, afirmou.

Presente no evento, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, afirmou que Villas Bôas enfrentou instabilidade ao longo de sua gestão, o que teria colocado a prova as instituições democráticas brasileiras.

“Ele conquistou respeito com as entregas certas nas horas certas. Seus maiores feitos foram o que conseguiu evitar, mantendo a ética. Fez do Exército solução e não parte do problema”, observou.

Mais cedo, os militares publicaram texto na página oficial da instituição na internet sobre a “instabilidade política” que Villas Bôas teria enfrentado ao longo da sua gestão.

“Em meio à turbulência, o general Villas Bôas foi a voz do Exército Brasileiro, deixando clara a percepção da crise ética vivida pelo país, mas ressaltando a importância da manutenção da estabilidade, da legalidade e da legitimidade, bem como a defesa da Constituição Federal”, diz trecho do texto.

Villas Bôas fez o discurso usando aparelho para respiração. Ele enfrenta um quadro de esclerose múltipla, uma doença degenerativa. A forma como o general lida com o delicado estado de saúde também foi citado pelo ministro Fernando Azevedo. “Transformou as dificuldades em oportunidades”, disse.

Quem é Edson Leal Pujol?
De perfil discreto, Pujol é conhecido como um homem de poucas palavras. A sua missão é dar continuidade à gestão de Villas Bôas, que passou quatro anos no comando do Exército.

O militar chega ao mais alto cargo com o crivo do presidente Jair Bolsonaro, que seguiu o critério de antiguidade e nomeou Pujol para o cargo. Apesar de não transitar no meio político, Edson Pujol e Bolsonaro já se conheciam. Os dois foram colegas na mesma turma na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Rezende, no Rio de Janeiro, nos anos 70.

O general tem 64 anos, nasceu no Rio Grande do Sul, na cidade de Dom Pedrito. Seu pai Péricles Correa Pujol foi coronel da Polícia Militar do estado. O comandante iniciou a sua carreira em 1971, quando entrou na Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

Daí em diante realizou diversos cursos de aperfeiçoamento e formação militar, entre eles o de paraquedista, inteligência, operações na selva, montanha e caatinga. Ao chegar ao posto de oficial serviu nos Comandos da Amazônia e do Sul, foi analista da área internacional, chefe de divisão e subchefe no Centro de Inteligência do Exército.

Na área civil possui MBA Executivo em administração de negócios, e o de gerenciamento de projetos, ambos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De perfil discreto, é conhecimento como um homem de poucas, mas firmes palavras. Ele chega com a missão de dar continuidade à gestão popular de Villas Bôas, que passou quatro anos no comando do Exército.

Carta do Exército
Em uma espécie de agradecimento ao trabalho de Villas Bôas, o Exército publicou um texto em sua página na internet enaltecendo a “firmeza” do dirigente ao longo da sua gestão e fez referência ao que chamou de “instabilidade política” que o militar teve de lidar à frente das tropas.

A publicação diz que o general aliou “a serenidade característica de sua personalidade à firmeza na ênfase do papel do Exército, definido na Constituição, especialmente nos momentos de instabilidade política e social”.

Nos quatro anos que Villas Bôas passou à frente do Exército, o Brasil enfrentou o ápice da Operação Lava Jato, que mostrou o envolvimento de boa parte da cúpula política do país em esquemas de corrupção, o impeachment de Dilma Rousseff e a posse de Michel Temer na presidência.

Segundo o texto, o general teve um papel “apaziguador” diante dessas crises sociais e políticas, classificadas pela corporação como “turbulência”.

“Em meio à turbulência, o general Villas Bôas foi a voz do Exército Brasileiro, deixando clara a percepção da crise ética vivida pelo país, mas ressaltando a importância da manutenção da estabilidade, da legalidade e da legitimidade, bem como a defesa da Constituição Federal”, diz trecho do texto.

Outro ponto ressaltado pelo Exército em relação à gestão do comandante, foi a sua comunicação com as autoridades civis e veículos de imprensa, além do público em geral. O reconhecimento de toda essa trajetória, de acordo com a publicação, está visível nos comentários de usuários nas redes sociais. Villas Bôas é usuário assíduo dessas plataformas, sobretudo do Twitter, onde tem mais de 420 mil seguidores.

Por fim, o texto destaca a manutenção de ações operacionais mesmo num “contexto econômico desfavorável”. As intervenções federais nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e do Espírito Santo são apontadas como algumas das missões mantidas, mesmo com orçamento limitado, para a garantia da paz social.

Compartilhe
Previous Bolsonaro sanciona lei que cassa por 5 anos CNH de contrabandista
Next Salim Mattar é nomeado secretário de Desestatização e Desinvestimento

Sobre o Autor

Você pode gostar também

Notícias

Pesquisa Ibope: Bolsonaro, 28%; Haddad, 19%; Ciro, 11%; Alckmin, 7%; Marina, 6%

Nova pesquisa Ibope divulgada na noite desta terça-feira mostra o deputado Jair Bolsonaro (PSL) à frente da disputa pelo Palácio do Planalto com 28% das intenções de voto. Porém, o

Notícias

STJ estica validade de auxílio-avião de ministros

Uma resolução assinada pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha, em dezembro do ano passado esticou a validade da cota anual que cada ministro

Notícias

Desaprovação a Bolsonaro sobe a 64%, diz Ipsos; pior situação é a de Alckmin

Depois de três meses de estabilidade, a desaprovação ao pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) subiu de 60% para 64%, enquanto a aprovação caiu de 23% para 20%. Esta é