Juiz do Supremo Tribunal foge da Venezuela para evitar posse de Maduro

Um juiz do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezuela, Christian Zerpa, desertou e partiu para o exterior, informou neste domingo (6/1) o Tribunal, acusando-o de fugir de uma investigação por crimes sexuais. Um dia depois de boatos sobre o rompimento de Zerpa com o governo de Nicolás Maduro e sobre sua decisão de fugir para os Estados Unidos com sua família, o TSJ – de linha oficialista – anunciou em comunicado que o juiz está sob investigação por “assédio sexual, atos lascivos e violência psicológica” contra funcionárias de seu escritório. São informações de O Globo.

Em entrevista à jornalista Carla Angola, Zerpa afirmou que abandonou o país para não participar da posse de Maduro, marcada para esta próxima quinta-feira (10) e questionada nacional e internacionalmente.

De acordo com o juiz, a primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, controla o Poder Judiciário do país e integra um grupo formado por Maduro; o ministro da Indústria e da Produção Nacional, Tareck El Aissami; o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, e os irmão Jorge e Delcy Rodríguez, respectivamente prefeito do município de Libertador e vice-presidente do país. O sexteto seria responsável por todas as decisões tomadas na política nacional da Venezuela.

O juiz destacou o ex-parlamentar e agora controlador-geral da República, Elvis Amoroso, como um dos responsáveis para que as ordens do governo sejam cumpridas dentro do TSJ.

“Para sentenças que têm relevância política, eleitoral ou constitucional é ativado um esquema de coordenação e Elvis Amoroso se encarrega disso”, afirmou Zerpa. “O mais sensato seria que Maduro renunciasse”, acusou.

Queixas de conduta indecente
O presidente do TSJ, Maikel Moreno, assegurou que diante de “repetidas queixas” de “conduta indecente e comportamento imoral”, as autoridades iniciaram uma ação judicial contra Zerpa. Nesse sábado (5), jornalistas venezuelanos que moram nos Estados Unidos relataram a fuga de Zerpa para a Flórida.

O juiz militou no Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e é alvo de sanções financeiras do Canadá. Ele foi nomeado pela antiga maioria parlamentar oficialista em dezembro de 2015, alguns dias antes de a oposição assumir o controle da Câmara.

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