Líder do PSol na Câmara aciona Justiça contra reajuste do Judiciário

Líder do PSol na Câmara aciona Justiça contra reajuste do Judiciário

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) protocolou nesta quinta-feira (8/10), um mandado de segurança para suspender a possibilidade de o presidente Michel Temer sancionar o projeto de lei aprovado nessa quarta pelo Senado para conceder reajuste de 16,38% no salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e dos membros da Procuradoria-Geral da República. O deputado alega que houve vício na tramitação do texto no Congresso.

Segundo Alencar, líder do PSOL na Câmara, o projeto foi iniciado naquela Casa e, ao chegar ao Senado, sofreu modificações.

Assim, de acordo com a Constituição, disse o deputado, a matéria deveria voltar à análise dos deputados, que dariam a palavra final.

Por isso, para o parlamentar, o sistema bicameral do processo legislativo não foi respeitado. O deputado alegou no mandado ter tido seu direito líquido e certo como deputado violado.

Para Alencar, a mudança, embora tenha sido registrada como “de redação”, alterou o mérito da proposta.

Texto original
O texto original estabelecia dois valores para a remuneração dos ministros: R$ 36 713,88 a partir de janeiro de 2016 e R$ 39.293,32 a partir de 1º de janeiro de 2017. O texto final aprovado pelo Senado apresenta apenas o segundo valor, suprimindo a primeira parte.

“Conforme o exposto, evidente que a emenda aprovada pelo Senado Federal não é mera emenda de redação, mas sim supressão de dispositivos que altera o mérito da proposição”, alegou o deputado no mandado.

Considerado o teto do funcionalismo, a remuneração passará de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil mensais. O STF e o MPF incluíram os reajustes na previsão orçamentária de 2019. O Orçamento Geral da União está em fase de discussão no Congresso Nacional.

Cálculos das consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado apontam que o “efeito cascata” para os demais Poderes da União e os Estados pode ser de cerca de R$ 4,1 bilhões. Segundo o senador Ricardo Ferraço, que votou contra o projeto, o impacto nas contas pode chegar a R$ 6 bilhões.

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