Miguel Cordeiro expõe “Primavera Burlesque” em Salvador

Miguel Cordeiro expõe “Primavera Burlesque” em Salvador

Artista plástico baiano celebra a Primavera Burlesque, com 50 obras em uma metáfora sobre a ironia do olhar, por meio de cores quentes, vivas e puras. A expô faz parte do centenário do Museu de Arte da Bahia e fica exposta no salão principal até o dia 03 de junho, com visitação gratuita.

“Essa exposição reúne um trabalho que eu venho desenvolvendo desde 2015 e tem uma temática luminosa, no sentido da renovação da criação da arte. Ter um desafio para recomeçar e buscar uma nova abordagem”, explicou Miguel que não se prende a uma técnica específica, mas explora diversos materiais como pintura acrílica, spray e colagens que interagem com o próprio desenho.

A Primavera Burlesque de Miguel Cordeiro
A Primavera Burlesque de Miguel Cordeiro. Foto: Arquivo Pessoal

Miguel Cordeiro despertou para a arte ainda na adolescência, quando percebeu o sua aptidão e, ao experimentar novos conceitos, foi se aprofundando cada vez mais. As famosas ilustrações do norte-americano Rick Griffin, na Revista Surfer e do John Severson serviram de inspiração para a mente criativa do artista baiano.

Somada à sua atitude, a pegada underground se deu mesmo com o seu personagem Faustino. Grafitado nos muros da cidade e aguçando o imaginário das pessoas. As frases abordavam comportamentos do cotidiano da época, tais como: “Faustino usa escovinha pata pata”, ou, “Faustino rouba miudezas nas Americanas”.

Miguel Cordeiro artista plástico baiano
O seu mais famoso personagem. Foto: Arquivo Pessoal

“A arte é uma antena, onde você captura o que está acontecendo a sua volta de você e vai processando isso, através da criação. Eu achava que a criação era uma coisa linear e não é. Na verdade é multifacetada, ela vai se afunilando até ganhar uma cara”.

“O Faustino foi um personagem que eu criei e que, na verdade, era uma grande curtição. As pessoas ainda me perguntam, qual é a razão daquilo, por exemplo. Elas tentam compreender o personagem como algo racional, quando na realidade não tinha nada disso. Era uma curtição até com a cafonice, conectado com os comportamentos da sociedade. É claro que eu não me identificava com o faustino , era tudo o que eu não queria ser. Mas em certos momentos nós acabamos nos pegando fazendo algo bem típico do personagem”, explicou.

Miguel Cordeiro expõe no MAB
Uma metáfora sobre a ironia do olhar. Foto: Arquivo Pessoal

Grafite

Segundo Miguel, o grafite mudou muito com o passar dos anos passando por certas fases. Durante o final da década de ’70, por exemplo, havia um componente marginal. Mas, que começou a ser aceito por uma questão do tempo, que consegue captar o que se passa na cabeça da sociedade. E, atualmente, se tornou uma tendência da  arte, algo que já é aceito na grande mídia, nas galerias e nos museus.

Miguel Cordeiro e sua Primavera Burlesque
A Primavera Burlesque de Miguel Cordeiro. Foto: Arquivo Pessoal

“Eu compreendo que em muitas dessas manifestações atuais o espírito do grafite desapareceu, pois o que nós temos hoje é muito do muralismo. Naquela época, havia um risco e hoje em dia tem a questão de pedir autorização. É claro que há uma censura do poder público ou auto censura do próprio grafiteiro , por isso ele vai fazer uma coisa que digamos “mais agradável”. O que não desmerece o grafite atual do muralismo. Eu acho que tem coisas legais e outras nem tanto, como em tudo. Prefiro mesmo uma vertente mais underground com traços mais toscos e mais primitivo do que o grafite muito bonitinho”, comentou.

Miguel Cordeiro expõe em Salvador
Encarte do álbum Duplo Sentido, com ilustrações de Miguel Cordeiro. Foto: Reprodução

Rock’n’Roll

Entre os pilares que realmente influenciam seu processo de criação está o surfe e o rock’n’roll na sua essência, segundo Miguel. Além disso, a arte pop, a arte contemporânea do pós segunda guerra e a arte moderna do início do século XX são suas principais fontes de inspiração.

“Fiz muita coisa com o Camisa de Vênus, o Marcelo Nova se tornou um grande amigo meu e acabei ilustrando duas capas de discos (Duplo Sentido 1987 e Dançando na Lua 2016). Bem como folhetos, fanzines com textos meus, fanzines para a banda e compus a letra de Simca Chambord”, disse Miguel que também tem sua própria banda de rock, a Coiotes.

A Primavera Burlesque de Miguel Cordeiro
Primavera Burlesque. Foto: Arquivo Pessoal

Arte

A mente criativa de Miguel Cordeiro não segue uma ordem linear de construção. Após os primeiros traços de um desenho seu olhar flutua a partir de uma imagem, que logo começa a tomar forma. Seja um foto em uma revista, uma frase que lê nas ruas, no jornal. “A partir daí vou processando e criando em várias frentes. A criação se dá em cinco, seis quadros ao mesmo tempo. Daí eu recorto um desenho e já passo para outro quadro que estava começando. É bem caótico, pelo lado mais positivo”, explica.

Miguel Cordeiro retrata o surfe
O seu olhar sobre o surfe. Foto: Arquivo Pessoal

Surfe

O surfe encontrou Miguel ainda na adolescência e sempre foi a sua grande paixão. embora um problema na retina o tenha tirado do outside. “O surfe é uma expansão da mente e estar em contato com o mar é uma libertação, uma coisa mágica. E quando era garoto, costumava desenhar o mar na sua perfeição, cenários e aquele imaginário que só existe em sonhos”, lembrou o artista que tem surfe, rock e a contracultura nas veias.

“A arte é uma antena, onde você captura o que está acontecendo a sua volta de você e vai processando isso, através da criação. Eu achava que a criação era uma coisa linear e não é. Na verdade é multifacetada, ela vai se afunilando até ganhar uma cara”, concluiu.

Miguel Cordeiro expõe Primavera Burlesque
O surfe pela ótica de Miguel Cordeiro. Foto: Arquivo Pessoal
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