Mulheres pedem respeito aos homens na hora da paquera no Carnaval

Mulheres pedem respeito aos homens na hora da paquera no Carnaval

Uma piscada de olho ou beijinho no ar, isso é paquera! Mas tem quem prefira avançar o sinal e partir para o assédio, fazendo propostas desrespeitosas com palavras grosseiras. Para piorar, há ainda os criminosos, aqueles que utilizam o poder da dominação para abusar sexualmente das vítimas.

A vendedora Renata Santos, 20 anos, já perdeu de vista o número de vezes que foi assediada durante o Carnaval. “Já escutei muita baixaria, saio de perto e não dou ouvidos para não revidar”. Um pouco constrangida em falar sobre ao assunto diante das amigas, a vendedora Joana Neri, 33 anos, disse que reage sempre que se sente ameaçada: “xingo e pronto!”.

Para combater os maus exemplos, a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), vai distribuir 20 mil ventarolas com a frase “o corpo dela não é atração do Carnaval”, além de 4 mil adesivos que pedem “deixe a foliã curtir em paz”.

“As ações de conscientização estão alertando tanto mulheres, quanto homens. As mulheres estão sabendo seus direitos e os homens precisam respeitar. Depois do ‘não’, tudo é assédio”, disse a secretária da SPMJ, Taissa Gama. Até o momento, não houve registro de ocorrências pela Prefeitura.

Na folia de Momo, a equipe da Prefeitura é reforçada. Dentro do circuito, o Centro de Referência Loreta Valadares (CRLV), nos Barris, está funcionando em regime de plantão, das 8h às 17h. Lá, as vítimas recebem orientação jurídica e psicossocial. Em 2017, a procura espontânea aumentou 45%, “sinal de que as mulheres estão cada vez mais conscientes dos seus direitos”, informou Maria Auxiliadora Alves, coordenadora dos Centros de Referência.

Em outro ponto da cidade, a Casa de Acolhimento provisório de curta duração Irmã Dulce está atendendo 24 horas as vítimas de violência doméstica e familiar que estejam em busca de um abrigo. Para isso, as mulheres devem procurar as delegacias especializadas para que sejam encaminhadas. O endereço da Casa de Acolhimento não é revelado para manter a segurança das mulheres.

Relatos – A jornalista paulista Ivana Araújo, 39 anos, que vem para Salvador desde 2005, conta que nesta quinta-feira (08), no Porto da Barra, acelerou o passo após ser xingada por um desconhecido. “Os homens não respeitam os limites, não entendem a hora de chegar e não sabem recuar. Sentem-se donos das mulheres”, desabafou.

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