Aécio Neves teme prisão e afirma que vive situação “kafkiana”

Aécio Neves teme prisão e afirma que vive situação “kafkiana”

Fechado em sua casa no Lago Sul desde 17 de maio, quando foi divulgado conteúdo da delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) tem dito a quem o visita que sua situação é “kafkiana”. O empresário disse em depoimento que o tucano lhe pediu R$ 2 milhões para, segundo ele, custear sua defesa na Operação Lava Jato.

Segundo aliados que estiveram com Aécio nos últimos dias, o parlamentar avalia que em condições normais de temperatura e pressão o pedido de prisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot — previsto para ser analisado nesta terça-feira (20/6) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) —, seria rejeitado.

O senador avalia, porém, que no atual cenário tudo pode ocorrer. Esse temor se cristalizou quando a Primeira Turma do STF manteve a prisão de sua irmã, Andrea Neves. Ao saber da decisão, Aécio se desesperou. O tucano não consegue conter o choro quando fala sobre Andrea.

“Ele está profundamente indignado, sobretudo com a situação da irmã”, disse José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela.

Apesar de recluso, Aécio tem se articulado em várias frentes para tentar impedir sua cassação no Senado, evitar a implosão completa de sua base política em Minas e reforçar sua defesa pública. Ele também tem atuado na vida partidária e foi um dos responsáveis pelo movimento que manteve o PSDB na base de Michel Temer, pelo menos por ora.

Minas
Aécio também montou uma força-tarefa para impedir uma debandada de quadros do PSDB mineiro para outros partidos. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) e o deputado federal Marcos Pestana (PSDB-MG) assumiram a linha de frente do grupo que por mais de dez anos foi majoritário na política de Minas.

O plano A para 2018 é apoiar o ex-presidente da Assembleia Dinis Pinheiro (PP) para o governo. Antes da divulgação da gravação, o senador esperava disputar o Senado.

Agora, se não perder os direitos políticos e não for preso, tentará a Câmara. “É cedo para dizer o que vai acontecer. Aécio está sendo investigado, mas outros tucanos também estão”, afirmou o deputado federal Caio Nárcio (PSDB-MG).

O senador afastado também tem mantido conversas regulares com caciques tucanos. Seus interlocutores mais frequentes são os ministros Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades), o senador Tasso Jereissati. Aécio tenta demonstrar que não está politicamente isolado mas tem tomado alguns cuidados para evitar que seus movimentos sejam considerados obstrução de Justiça.

Como teme estar grampeado, as conversas mais delicadas, sobretudo com o PMDB, são feitas pessoalmente ou por meio de interlocutores.

Pessoas próximas ao senador consideraram um erro a postagem feita na semana passada nas redes sociais de uma foto que mostrava uma reunião em sua casa com caciques tucanos. A imagem está sendo usada pela Procuradoria-Geral da República para embasar o pedido de prisão contra o tucano. Aécio se esforça para manter um clima de normalidade em sua rotina familiar.

Na semana passada sua sogra organizou um almoço para celebrar o aniversário dos filhos gêmeos. Depois dos parabéns, o senador se retirou para uma reunião com deputados mineiros.

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