Fachin autoriza abertura de inquérito para investigar Temer

Fachin autoriza abertura de inquérito para investigar Temer

O presidente Michel Temer vai ser formalmente investigado por tentativa de obstrução da Lava Jato. A Procuradoria Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito para investigar Temer e o ministro Edson Fachin acatou.

Caso ele seja denunciado e o STF aceite a denúncia, transformando-o em réu, ele fica suspenso do mandato presidencial.

Pela Constituição, o presidente da República só pode ser investigado por atos cometidos durante o exercício do mandato e com autorização do STF —  os fatos narrados por Joesley Batista na delação teriam sido cometidos em março deste ano, quando Temer já ocupava a Presidência.

Michel Temer chegou na manhã desta quinta-feira (18/5) ao Palácio do Planalto e decidiu suspender toda a sua agenda. A expectativa é que o peemedebista faça um pronunciamento. A operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal contra o senador Aécio Neves (PSDB) atrapalhou os planos do presidente, que no início do dia chegou a informar que manteria os compromissos.

O clima no Planalto segue tenso e auxiliares do presidente admitem que o “momento é delicado”. Nos corredores alguns resistem em falar em renúncia, mas admitem que a possibilidade está no radar. Interlocutores também avaliam que o impacto das acusações causarão rachas na base aliada e comprometerão as reformas do governo.

Histórico
Em uma gravação feita por Joesley Batista, dono da JBS, em março deste ano, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), dá o aval para que o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) seja comprado. As informações são do jornal O Globo.

Segundo a reportagem, o empresário informou a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ambos ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”. Na conversa, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F — holding que controla a JBS, maior produtora de carne do mundo. Posteriormente, Loures foi filmado pela Polícia Federal recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. O dinheiro seria parte da mesada.

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