Investigar presidente não é ilegal, diz Celso de Mello

Investigar presidente não é ilegal, diz Celso de Mello

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), disse, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, que a eventual investigação do presidente Michel Temer em inquérito da Operação Lava Jato não desrespeita a Constituição. É o contrário do que entende o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que não incluiu Temer da lista de possíveis investigados enviada em março ao Supremo.

Janot explicou ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, que não pediu para Temer ser investigado porque a Constituição dá ao presidente da República imunidade temporária por atos estranhos ao exercício das funções (Artigo 86, parágrafo 4.º) – no caso, as acusações de alguns delatores sobre arrecadação de dinheiro para campanhas do PMDB. Fachin acolheu o argumento sem manifestar-se a respeito. Só o fez na semana passada – mandando ouvir Janot -, depois que o PSOL entrou com um recurso pedindo que Temer seja incluído na investigação. O recurso ainda não tem data para ir a julgamento.

“O Supremo Tribunal Federal, em dois precedentes, entendeu que a imunidade constitucional dada ao presidente da República, protegendo-o contra a responsabilização em razão de atos estranhos ao exercício do mandato, não há de impedir a instauração de investigação criminal”, disse Celso de Mello. “É preciso fazê-la, porque as provas se dissipam, as testemunhas morrem e os documentos desaparecem”, acrescentou. “Eu sei que essa não é a posição do procurador-geral da República – não obstante o Supremo tenha dois precedentes julgados pelo pleno.”

Os dois precedentes são de 1992 – ambos envolvendo o então presidente Fernando Collor de Mello por fatos estranhos ao mandato presidencial. “Eu fui relator de um, e o ministro Sepúlveda Pertence de outro”, relembrou o decano. “E o Supremo Tribunal Federal foi muito claro ao reconhecer a legitimidade da investigação policial ou da investigação criminal promovida pelo Ministério Público.”

O decano da Corte recebeu o Estado no começo da noite da terça em seu gabinete no terceiro andar do anexo 2. Depois de quase três horas de entrevista – em que falou de Lava Jato e delação premiada, foro privilegiado, processo contra Dilma Rousseff e Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre outros temas -, ficou mais duas fazendo uma apresentação animada e detalhada de uma impressionante coleção de estimadas quatro mil músicas. Quando acabou, sem sinais visíveis de cansaço, já era 1 hora da madrugada da quarta-feira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Compartilhe
Previous TSE pode rever regra que anistia conta de partido
Next Nicolás Maduro diz que papa fez “seu melhor” por diálogo na Venezuela

Sobre o Autor

Você pode gostar também

Política

Artur Maia diz que reforma da Previdência não vai prejudicar nem o trabalhador, nem os mais pobres; assista

Em conversa com o Classe Política nesta segunda-feira(18), durante evento do Fundo Nacional de Educação (FNDE) em Ação realizado no Hotel Fiesta em Salvador, o deputado federal e relator da

Política

TSE não pode tomar iniciativa de impedir candidatura de Lula, diz Cármen Lúcia

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, refutou a possibilidade de que a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja bloqueada sem que haja contestação

Política

Moro teme retrocesso com concessão de habeas corpus para Lula

O juiz Sérgio Moro, responsável pelo julgamento dos casos da Operação Lava-Jato em primeira instância, considerou um retrocesso a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) revisar a decisão em